Profano o espaço. que será. seja. um caminho. vereda de memórias.

sábado, 1 de março de 2008

Ainda Marcin Sendecki.....

O rigor do aleatório



«Marcin Sendecki nasceu em Gdansk , na Polónia , em 1967. Iniciou os estudos em Medicina , mas veio a formar-se e a fazer pós-graduação em Sociologia, na Universidade de Varsóvia. [...]
Os poemas de Marcin Sendecki deixam-nos um sentimento de desolação , um vazio preenchido por coisas grotescas , uma solidão habitada por gestos desencontrados .É por isso que nada parece fazer sentido: o absurdo instala-se, à nossa rebelia, nas cidades , nas nossas casas, nos objectos quotidianos, tornando tudo irreconhecível.
Não são arbitrárias nem gratuitas as palavras que tecem a nudez destes poemas , a que subjaz uma componente fortemente política , às vezes velada , às vezes a descoberto , como em » Desta vez não haverá vítimas ». Na escrita de Sendecki está sempre patente a orientação alienatória das nossas vidas ; os poemas delatam a falta de liberdade , de verdade , os excessos e as omissões e conseguem inquietar -nos através de uma ironia cruel , formalmente lacónica em que se diz apenas o indispensável .....».

Rosa Alice Branco, in Parcelas, tradução colectiva , Poetas em Mateus



Poodle Springs

Não é a minha cidade . fumei
um cigarro, caminho longamente no quarto ,
para me livrar dele .

ouço o cão , vejo
o carro à entrada. falarás
através de uma placa de coisas


úteis. a nossa fotografia na
página do jornal, embora não
haja motivo. sou saudável

como bourbon
e apanho
na soleira da porta um envelope
timbrado.

Se quiseres
ver-me entra e fecha

a porta.












segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Dou-te o meu nome

dou-te o meu nome
como se antes sentido
nele não houvesse
e não havendo tu soubesses
o meu nome

esse som da tua boca
duas sílabas só tu aqueces
essa busca inquieta
esse jogo do chamar
como quem procura mundo
treme supondo --- eu lá não estar

também chamo por ti
só a querer-te me calo
teu nome são duas sílabas abertas
raiando o azul dos prados
oferecendo luz ao mundo

só o teu nome por mim chamado
essas sílabas crescentes
duradouras na minha fala
só na tua boca estão presentes JRM

uma sombra

uma sombra a daquela àrvore distante crispando ao sol no horizonte
os ramos como mãos abertas dedos intermináveis: a paisagem
todo o monte desacertado em ondas de calor

os olhos desferem a golpe rude a mansidão das espadas
colhidas pelos séculos de terra ardendo no sangue
o rigor dos dias de mansidão e do abandono JRM

chegadas

chegava no Inverno
o intenso frio
ardiam as mãos no fogo


chegava no Verão
o intenso calor
ardiam sombras
era verde a escuridão

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O verso eterno

»ELES PASSARÃO ... EU PASSARINHO»


IN MÁRIO QUINTANA

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Mentira ?

A mentira é uma verdade que
se esqueceu de acontecer


in Mário Quintana obra completa

Pegadas

Transportaram-me e alimentaram-me. Lugar
escolhido ( actividades próprias de escalões inferiores)
Mexeram em mim, depressa. Fui inteiramente eu próprio
Perderam -me


in , parcelas, Marci Sendecki